“Capacidade de adaptação é a chave para o enfrentamento da crise”

- 30 de Março de 2020
O Diretor de Administração da UnC, professor Me. Luiz Alberto Brandes faz uma análise sobre o cenário atual da economia e a importância de utilizar o período de isolamento social para manter-se qualificado.
UnC: Quais as estimativas de impacto econômico diante da pandemia do Covid-19?
Brandes: É difícil fazer projeções acertadas diante dessa pandemia sem precedente na história recente de nosso país. O que podemos fazer é desenhar alguns cenários e estimar os impactos em todas as esferas da sociedade atual. Mas mesmo nos cenários mais positivos, os resultados negativos são evidentes e assustadores.
Segundo os ganhadores do Prêmio Nobel de Economia, Samuelson e Nordhaus, "a economia é o estudo de como a sociedade administra seus escassos recursos". O aparecimento do coronavírus SARS-CoV-2, causador da infecção respiratória covid-19 nos pegou de surpresa e se espalha com uma velocidade impressionante. A falta de informações tornou essa infecção mais perigosa do que o normal, pois, ao ignorar as boas práticas recomendadas pelas autoridades de saúde, levou cidades, estados e países a decretar Estado de Emergência ao redor do mundo. Não é raro depoimentos de pessoas assustadas com a situação imposta pelas medidas de segurança nas cidades que se tornaram epicentros ao redor do planeta. O isolamento social passou a ser a melhor arma para achatar a curva de contaminação e tem a intenção de minimizar os impactos no sistema de saúde para garantir o atendimento de pacientes que evoluem para o estado mais grave da doença.
Pois bem, os já escassos recursos disponíveis para atendimento dos que necessitam aliados a uma crise econômica pela qual o Brasil tentava se recuperar, tornaram as previsões preocupantes. A preocupação levou a questionamentos como: Saúde ou Economia?. Isso dividiu a opinião de especialistas e da população em geral apenas para ilustrar o cenário no qual estamos tentando fazer projeções. Como o nosso foco é tentar entender e estimar como a economia vai ser impactada, precisamos rever o modelo atual que me parece ter ficado obsoleto. Se quisermos recuperar a economia e salvar vidas, precisamos entender que a única saída é a união, ou seja sociedade civil, poderes públicos e iniciativa privada precisam juntar esforços e com soluções criativas, criar mecanismos que num primeiro momento protejam empregos e minimizem as perdas do setor produtivo. Em um momento posterior ao pico da doença será necessário um esforço conjunto da sociedade global para recuperar as perdas e superar as dificuldades impostas por essa pandemia.
UnC – Existem medidas que podem reduzir esse impacto?
Brandes - Para atingirmos o cenário otimista precisaremos de um esforço conjunto de todos os setores da sociedade para minimizar os impactos. O grupo dos 20 países mais ricos, conhecido por G20, anunciou a injeção de 26 trilhões de reais na economia mundial, a maior parte seria investida nos países que compõe o grupo, porém com a economia globalizada todas os investimentos repercutirão de alguma forma na economia de todas as nações. Outras medidas já foram apresentadas pelo governo brasileiro que deverá criar mecanismos para garantir o bem estar social da população desempregada, trabalhadores informais e população mais vulnerável. Será injetado, pelo governo Brasileiro, algo em torno 150 bilhões de reais, nos próximos três meses e deverão ser criadas linhas de crédito para garantir que empresas tenham condições de manter postos de emprego com redefinição da taxa de juros. A exemplo disso o Banco Central brasileiro cortou a Selic para 3,75% ao ano, o menor nível da história. Neste horizonte escurecido para a maioria das economias no mundo, as empresas estão tentando descobrir caminhos que possam mitigar os efeitos perversos da covid-19 sobre suas atividades. Neste ponto, vale destacar a chamada economia criativa, que consegue se adaptar melhor nestes momentos de crise por estar suportada por inovações tecnológicas e apoiadas por algoritmos de Inteligências Artificiais capazes de analisar grandes volumes de dados, antecipando assim, soluções viáveis para a redução dos impacto causados pela Pandemia.
UnC – Como manter o otimismo diante da crise?
Brandes - O otimismo, ao meu ver, é a nossa melhor arma. Manter-se calmo, garantirá a mente livre para ajudar a desenvolver soluções criativas, fica difícil contribuir de alguma forma se deixamos o medo e a raiva tomar conta de nossos pensamentos, pois como diz Leandro Karnal, "Somos todos parecidos. E a raiva do outro que respinga em nós, atiça, germina, umidifica a nossa própria raiva, que acaba estourando da mesma forma. Criar uma empatia com o outro pode ajudar a superar essa cultura de NÃO PAZ!".
Uma das lições que precisamos aprender com esse momento é que o meu bem estar depende dos outros, não estamos isolados para nos afastarmos e sim como prova de respeito para com todos, especialmente os mais vulneráveis. Quando entendemos isso, conseguimos ver que a economia depende de soluções que nascem da conscientização de que todas as nações estão sendo provadas nas suas capacidades de enfrentamento à crise mundial que estamos prestes a vivenciar. Porém acredito no conhecimento técnico e científico, conhecimento este que trouxe a humanidade até o presente, graças ao empenho de pessoas que dedicam a sua vida na busca de soluções para os problemas do dia-a-dia.
UnC - No setor educacional, é primordial mantermos a rotina de estudos, bem como buscar outras qualificações?
Brandes - Nunca antes foi tão necessário mantermos o foco nos estudos e nos qualificarmos. Outra lição que essa pandemia nos deixa como legado é que o conhecimento científico é nossa melhor arma contra catástrofes que atingem a humanidade. Ser qualificado nos dá a certeza de que há pessoas trabalhando pelo bem de todos. Muitos professores e alunos estão tendo que se adaptar a uma rotina de confinamento, porém vejo todos os dias manifestações de professores orgulhosos de dominar tecnologias que já existiam, porém por comodidades deixavam de lado. A capacidade do ser humano em se adaptar é impressionante e é essa adaptabilidade que nos dá esperança de sair deste momento de crise mais fortes e melhor preparados para os desafios. Hoje pode-se aproveitar esse momento de isolamento social para buscar qualificações on-line. Grandes universidades, como a Universidade do Contestado, por exemplo, oferecem cursos de curta duração bem como graduações e pós-graduações na modalidade em EaD.

