CENPALEO atua novamente em pesquisa internacional


  • 2 de Maio de 2019

Dando sequência aos trabalhos de pesquisa realizados na Antártica e na China pela equipe do Centro de Paleontologia da UnC (CENPALEO), uma nova investigação encabeçada pelos pesquisadores da Universidade do Contestado abrangeu os países da América do Sul.

Esta nova etapa surgiu através das pesquisas já desenvolvidas com fósseis de insetos em Mafra/SC.  Segundo o pesquisador da UnC, João H. Z. Ricetti, “ela só foi possível com a aprovação do projeto intitulado South America Paleozoic insects: high latitude Carboniferous-Eraly Permian insect fauna (Insetos Paleozoicos da América do Sul: A fauna de insetos fósseis em altas latitudes durante o Carbonífero e início do Permiano), financiado pela sociedade Norte Americana de fomento à pesquisa paleontológica”.

O projeto do pesquisador da UnC foi um dos 20 contemplados após uma ampla concorrência com outros projetos de pesquisadores do mundo inteiro. Para o desenvolvimento da pesquisa, Ricetti passou por um intenso período de atividades em coleções científicas em universidades da Argentina e do Uruguai. Assim, sequências de análises foram realizadas com espécies já descritas para unidades estratigráficas da América do Sul. Estes resultados serão agora utilizados na descrição de novas espécies para o Brasil, em especial para os insetos escavados no município de Mafra. Com este estudo, se busca a compreensão de como as mudanças climáticas no passado atingiram os insetos da época, e como os mesmos responderam. “Entre 330 e 250 milhões de anos atrás nosso planeta estava muito diferente do que está hoje. Fazíamos parte de um supercontinente chamado Pangea, mais especificamente da porção austral (Sul) deste continente, chamada Gondwana. Durante esses 80 milhões de anos, sabemos que o clima de nosso planeta variou drasticamente, passando de uma Era Glacial para um clima extremamente quente. Esta mudança climática culmina na maior extinção em massa que o planeta Terra já registrou, extinguindo mais de 90% das famílias de organismos vivos da época. Nosso objetivo é entender como essas modificações climáticas e geográficas afetaram a vida em nosso planeta, em especial, como ela influenciou os estágios inicias da evolução dos insetos”, explica o pesquisador.

 

SAIBA MAIS

Atualmente, os insetos são conhecidos como uma Classe hiperdiversa, com quase 60% de todas as espécies de seres vivos atuais. Este grupo tem uma fundamental relevância para todos os ecossistemas atuais, onde sua significância fica mais evidente na interação que apresentam com demais organismos, sendo como polinizadores ou na cadeia trófica (alimentar). Os insetos estão, hoje, presentes em todos os continentes de nosso planeta – inclusive na Antártica.  “A equipe do Cenpaleo, em parceria com diversos grupos de pesquisa de universidades brasileiras e estrangeiras, tem explorado um afloramento fossilífero (uma área de escavação) de enorme significância, chamada Campáleo – e este afloramento em Mafra.  Entre vários organismos excepcionalmente preservados, com idade aproximada de 290 milhões de anos, estão os insetos. Queremos entender como estes pequenos animais viviam a tanto tempo atrás, e o que os trouxe para regiões tão ao sul de nosso planeta na época... Para tanto, precisamos comparar os espécimes, em seus detalhes, com demais insetos encontrados na América do Sul. Posteriormente estes organismos devem ser analisados em comparação com outros fósseis de regiões mais distantes, como a Europa, que na época estava posicionada muito próximo de onde hoje é o nossa Linha do Equador”, relata.

RELAÇÕES INTERNACIONAIS

            A viagem, além de fundamental para o desenvolvimento da pesquisa paleontológica, também foi utilizada para estreitar relações com pesquisadores e instituições da Argentina e Uruguai. Junto ao Museo Argentino de Ciencias Naturales, o pesquisador do CONICET, Daniel L. Melendi, presenteou o pesquisador da UnC com uma de suas recentes publicações, o livro Biodiversidad, utilizado na ementa de cursos de ciências naturais pela Argentina. Ainda, pesquisas envolvendo fósseis da Facultad de Ciencias da Universidad de La Republica foram traçadas, cujos resultados serão publicados em um futuro próximo.

Esta é mais uma das linhas de pesquisa desenvolvidas na Universidade do Contestado, fazendo parte do cenário científico da instituição e sua internacionalização. A pesquisa faz parte também do doutorado do pesquisador, desenvolvido junto à UFRGS, sob a orientação do Prof. Dr. Roberto Iannuzzi, e à T. U. Bergakademie Freiberg, e Co-Orientação do Prof. PhD. Jörg W. Schneider.